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Evolução no campo

Evolução no campo

“O Guzerá foi a raça zebuína que mais evoluiu nos últimos anos. Os criadores escolheram o caminho certo de seleção, resultando em matrizes produtivas, longevas e rústicas”. Adir do Carmo Leonel, Estância 2L.

adir do carmoAdir do Carmo Leonel é um dos criadores mais tradicionais e respeitados da pecuária brasileira, atuando há mais de 60 anos na seleção de animais Nelore. Conhecido por seu “olho clínico”, ele foi um dos jurados do julgamento da categoria Matriz Modelo da 82ª ExpoZebu, em Uberaba, MG. A raça Guzerá foi um dos destaques, com quatro animais premiados
Fonte: Portal DBO
Guzerá, raça para cruzamentos industriais e de dupla aptidão

Guzerá, raça para cruzamentos industriais e de dupla aptidão

No mundo, há aproximadamente mil raças de bovinos, das quais 250 têm alguma importância econômica. A raça Guzerá foi a primeira raça zebuína a chegar ao Brasil, trazida da Índia na década de 1870. Por ter origem no deserto da Índia, onde prevalecem dias quentes e noites muito frias, o Guzerá é uma raça que apresenta uma rusticidade fora do comum, que culminou numa adaptabilidade perfeita às características da pecuária brasileira. Por sua pureza racial, apresenta um alto grau de heterose, caracterizando uma elevada versatilidade em cruzamentos com extraordinários resultados no cruzamento rotacionado de raças com machos pesados e fêmeas de habilidade materna e alta produção de leite.

Após a “Maldição dos 100 anos”, grande seca ocorrida entre 1978 e 1983 que liquidou grande parte do rebanho nordestino, 70% do rebanho remanescente era de Guzerá, pois esta raça foi a que mais suportou as condições adversas no sertão devido à sua rusticidade e adaptabilidade. A região continua sendo o principal polo de produção da raça Guzerá, mas hoje se encontra espalhada pelos estados do Sudeste e Centro-Oeste em menor proporção.

Os maiores plantéis de guzerá estão localizados nos estados do Nordeste e seu notável desenvolvimento nas condições adversas do nordeste brasileiro atraiu a atenção de criadores de todo o Brasil, para cruzamentos de Guzerá com outras raças para produção de carne e leite a pasto, por isso hoje, o Guzerá é encontrado nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Os cruzamentos garantem bezerros fortes, saudáveis e com ótima velocidade de ganho de peso, em boas condições de manejo e alimentação.

Em geral, os sistemas de produção mais eficientes são aqueles que utilizam os recursos genéticos, ambientais, socioeconômicos e as práticas de manejo de forma eficaz em todos os componentes do ciclo produtivo. O uso de raças adaptadas às condições climáticas brasileiras e que apresentem boas características produtivas e reprodutivas deve ser encarado como ferramenta essencial na obtenção de um produto final (carne e/ou leite) de qualidade.

A conversão alimentar é definida pela quantidade de alimento necessária para gerar 1 kg de peso vivo e fundamental na escolha de animais para produção de carne, sendo determinante no custo de produção. Assim, quanto menor for essa relação, melhor será a eficiência do animal e, portanto, maior o lucro do pecuarista. Nesse quesito, a raça Guzerá se mostra a frente de outras raças zebuínas, como mostram as Tabelas 1 e 2.

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O uso do Guzerá no cruzamento com outras raças provenientes de clima frio e seus mestiços diminui os custos dos criadores com produtos veterinários, como no controle de parasitas, devido à rusticidade imposta pelo Guzerá. A Tabela 3 mostra o efeito do grau de sangue (composição genética de um animal) sobre o número médio de carrapatos encontrados em animais de diferentes composições genéticas.

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Touros Guzerás também são utilizados em cruzamentos para melhorar aspectos de raças com úberes pendulosos e tetos de tamanho exagerado das vacas leiteiras comuns, garantindo maior firmeza na sustentação do úbere, uma vez que o úbere do Guzerá possui ligamentos fortes. O touro Guzerá leiteiro também é muito usado como alternativa zebuína nos cruzamentos onde já foi utilizado o touro Gir. No cruzamento do Guzerá sobre o Girolando (Gir x Holandês), por exemplo, ocorre a geração de herdeiros pesados e com alta produção de leite.

Visualmente, as principais características físicas da raça são (Figura 1):
– Porte grande com pelagem que varia da coloração cinza clara ao cinza escura, havendo tons pardos e prateados;
– As fêmeas apresentam pelagem mais clara que os machos;
– Os chifres são grandes e de cor escura, saindo horizontalmente para fora e para cima, em forma de lira, terminando para dentro, ou para trás;
– As orelhas são médias relativamente largas, pendentes e de pontas arredondadas, com a pele do interior alaranjada.

Figura 1: Rebanho de gado Guzerá. Fonte: Associação dos criadores de Guzerá do Brasil.

Devido a pureza racial, uma das maiores aptidões da raça Guzerá é o cruzamento industrial, ou seja, cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, onde o touro é geralmente de raça pura, buscando aumentar a eficiência na produção de carne ou leite. No cruzamento com as raças Holandesa e Pardo Suíço, obtêm-se mestiças leiteiras de alta qualidade e ao mesmo tempo excepcionais machos de corte, chegando a atingir quando confinados, ganho diário médio de 1.400 gramas/dia e quando recriados a pasto, são abatidos antes dos 24 meses com peso de carcaça superior a 15 arrobas. Na Tabela 4 são citadas as principais raças formadas pelo Guzerá.

A “pureza genética” do Guzerá tem garantido o sucesso da raça no decorrer da história por sua rusticidade e adaptabilidade ás condições climática do Brasil. Os cruzamentos com a raça Guzerá dão bons resultado devido à alta capacidade de transmitir suas características aos herdeiros, originando o maior número de raças mestiças de sucesso.

 

Fontes consultadas

Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil (ACGB). Disponível em: <http://www.guzera.org.br/>. Acesso em: 24 jun. 2015.

Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Disponível em: <http://www.abcz.org.br/>. Acesso em: 7 jul. 2015.

LEMOS, A de M.; TEODORO, R.L. Utilização de raças, cruzamentos e seleção em bovinos leiteiros. Coronel Pacheco: Embrapa – CNPGL, 1993. 23 p. (Embrapa –CNPGL. Documentos, 52).

PEIXOTO, M. G. C. D.; SANTOS, G. G. dos; BRUNELI, F. A. T.; PENNA, V. M.; VERNEQUE, R. da S.; PANETTO, J. C. do C.; MACHADO, C. H. C.; MACHADO, M. A.; LOBO, R. B.; CARVALHO, M. R. S. Programa Nacional de Melhoramento do Guzerá para Leite: resultados do Teste de Progênie, do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos da ABCZ e do Núcleo MOET. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2014. 72 p.

SANTIAGO A. A., SANTOS R. Guzerá – O gado do Brasil. Revista Agropecuária Tropical – Recife (PE). 467 pág – 1984

Elaborado por
Casa do Produtor Rural
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP

Mateus Calderan Pereira
Graduando em Engenharia Agronômica
Estagiária – Casa do Produtor Rural – ESALQ/USP

Foto de capa:
Marcelo Cordeiro – Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil

Acompanhamento técnico
Fabiana Marchi de Abreu
Engenheira Agrônoma
CREA 5061273747
Casa do Produtor Rural

Coordenação editorial
Marcela Matavelli
Agente de Comunicação
DRT 5421SP
Casa do Produtor Rural

Fonte: http://www.clubeamigosdocampo.com.br/