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Tudo começou num tempo já distante: ainda no século XIX. Assim mais de 100 anos de presença de genética guzerá na Bahia.

O histórico porto de Salvador foi palco de apresentação de alguns dos primeiros guzerás, assim como foi talvez a principal porta de entrada para povoamento de animais de criação no Brasil durante a maior parte desses últimos 500 anos.

Sem dúvida, a Bahia teve papel crucial na estruturação da pecuária brasileira. Nos primórdios, a pecuária se expandiu sobretudo no sentindo noroeste, conquistando todo o Sertão Norte da Bahia até chegar ao S. Francisco e logo ao Piauí. Outguzera4ra frente caminhou no sentido sudoeste, Baixo Sertão da Bahia e Norte de Minas – usando também o vale do S. Francisco.

ZEBU A BORDO

No século XIX começam a aparecer registros de desembarque de zebuínos nos portos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife. De início vinha Nelore, Guzerá, tipos mestiços e eventualmente outras raças indianas. Escassos exemplares: um touro, um terno…

Antes, no tempo da administração colonial portuguesa, algum sangue de zebu pode ter vindo da África para o Brasil junto com o gado N´Dama, um taurino tropical de pequeno porte, típico de toda a Costa da Guiné. Mas nesse tempo jã o sangue zebuíno indiano havia se espalhado pela África e atingido o Sahel Oeste. A entrada do zebu na África remonta mais de 2.000 anos, no bojo do comércio de cabotagem nas margens do Oceano Indico. Não se descarta, por isso, que genética azebuada africana tenha vindo desde Marrocos, Mauritânia, Senegal ou portos mais ao sul – ou Moçambique e Mombaça na costa índica, com os quais a Bahia mantinha intensas trocas.

PIONEIRO

Praticamente tudo se diluiu daquelas primeiras episódicas entradas de zebu puro indiano. Não havia número de animais para formar população pura. Mas o sucesso na mestiçagem com o gado então existente foi imediato. Eureka! Descobria-se o gado certo para o Brasil!

O mesmo entusiasmo que mobilizou grupos de pioneiros triangulinos a incrementar essas  importações de gado indiano há exatamente cem anos, motivou também alguns criadores fluminenses e baianos. Entre estes figurava em destaque Octávio Ariani Machado, homem lúcido, proprietário no Recôncavo. OM pegou seus primeiros guzerás no porto da Cidade da Bahia em 1919. Foram apenas seis cabeças, segundo relato escrito de seu filho, o criador Otávio Villas Boas Machado. Somente em 1930 conseguiria junto aos armadores e comerciantes alemães da firma Hagenbeck mais “um ou dois “ touros Guzerá puros da Índia.

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Não era fácil nem barato a menos que fossem a Índia, como fizeram alguns pioneiros de Uberaba, não havia como escolher. Com essas limitações, Octávio Machado conseguiu formar seus plantéis puros de Nelore, Guzerá e Gir que foram grande atração na época.

Naturalmente, sobretudo o plantel guzerá, foi formado em extrema consanguineidade, e os relatos da época, ao mesmo tempo que falam do porte o do peso superior dos touros e vacas Guzerá, se referem também ao temperamento indócil, traço de alguns dos 6 animais de 1919.

Mais tarde Octávio Machado teria conseguido algum reprodutor junto aos guzeratistas fluminenses que lhe permitiu outro pequeno refrescamento de sangue. Desde a década de 30 jã fornecia tourinhos guzerá para criadores tanto baianos como de outros estados, inclusive Minas Gerais e Rio de Janeiro.

MINAS, ÍNDIA E BAHIA
O desenvolvimento da zebuinocultura nos gerais mineiros foi de tal ordem nas primeiras décadas do Séc. XX que o fluxo do comércio de gado logo viria a se inverter. O Guzerá teve papel importante na expansão do zebu mineiro. “Lontra”, o célebre touro guzerá de há 90 anos que fez fama e deixou numerosa descendência, e o sucesso dos guzeratistas da região de Curvelo, são evidências desse fenômeno.

Logo a Bahia viria a receber mascates com boiadas e vacadas fortemente guzeratadas, vindas de Minas. No Sudoeste baiano, Cassiano Ferraz, pai do guzeratista Pedro B. Ferraz, adquiriu e fotografou lotes de gado guzeratado nos idos de 1941. Algumas vacas podiam passar como puras. O guzeramento dos rebanhos nos amplos sertões era um fato.

FASE DA RESISTÊNCIA

Nos anos 40 se intensifica o modismo do surgente Indubrasil, um zebu construído por cruzamentos, influenciado pela chegada da raça gir ao Brasil no início dos anos 30. Essa nova raça acabou ganhando padrão e se expandindo graças ao uso sistemático de vacada guzerá como lastro. Foi um baque considerável para o guzerá então. Muitos plantéis tiveram fim.

Mas na Bahia, Octávio Machado e Aristóteles Goés se mantiveram firmes no Guzerá. O mesmo se deu com alguns fiéis curvelanos em Minas e o tronco “JA” no Estado do Rio.

Abre-se no final dos anos 50 nova fase do Guzerá na Bahia. Entra em cena o Guzerá na Bahia. Entra em cena o Guzerá do IPEAL, em Cruz das Almas – um plantel para pesquisas e melhoramento leiteiro, organizado pelo renomado zootecnista baiano José Maria Couto Sampaio. Nesse mesmo período outro marcante selecionador, Miguel Vita, inicia seu Guzerá da Soraya com animais “OM”. Em 1961 Miguel Vita compra  a peso de ouro o touro Hisdustani, da importação de Rubico Andrade. Hindustani era filho de Kuwel que já ostentava grande fama na Índia por sua performance leiteira. Hindustani deu feição ao Guzerá de Soraya. Em seguida, ao organizar seu rebanho particular, José Maria traz Parew Medhi II, adquirido de Celso Garcia Cid. Parew Medhi II serviu também no IPEAL, onde deixou Profeta reprodutor marcante no Guzerá Leiteiro contemporâneo. Outro filho de Kuwel , Mambu-Imp, também deixou descendência na Bahia, assim como Ghallor VI, um filho de Kuni, outra importada de destacada produção leiteira.

Uma linha continua, sempre se renovando , evoluindo, e agora em franca expansão, marca a presença da raça guzerá no Estado da Bahia.